segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Em meio a quem um dia eu fui

Eu estava nas últimas fases da faculdade de Jornalismo. Ainda não sabia para onde o destino me levaria (e continuo não sabendo, uma vez que cada dia é uma surpresa). Eu usava uma inseparável pasta marrom e ali guardava todas as minhas anotações e materiais de estudo. Tinha um cabelo pouco mais comprido do que agora. Chegava na aula cedo porque eu estagiava na própria universidade e dali só lanchava e esperava o movimento nos corredores começar. Eu sempre tentava imaginar o que estaria fazendo em três ou quatro anos depois de formado.

Um dia desses, no festival de comunicação organizado pela coordenação do curso, vários profissionais que atuavam na área há anos foram convidados a participar de um debate conosco. No auditório, montaram uma espécie de arena, onde nós estudantes ficávamos ao redor dos convidados, posicionados no meio. Lembro que muitos daqueles jornalistas e publicitários eram referências; todos com certa trajetória reconhecida pelo público e marcada nos veículos de comunicação da região e do estado.

Eu, que estava junto com alguns dos meus inseparáveis colegas, falei pra mim mesmo: “um dia serei convidado para estar naquele centro; falando sobre minhas experiências de trabalho”.

Nos anos que passaram eu não havia pensado mais naquilo. Eu me formei, comecei a trabalhar, fiz alguns cursos. Enfim, estou me encaminhando pra alcançar o que desejo. Na semana passada, porém, abri meu e-mail e recebi um convite. “Gostaríamos de pedir sua ilustre participação na Semana de Comunicação. Será um bate-papo informal entre alunos e profissionais que estão no mercado”.

Na mesma hora eu me lembrei daquele Marco Antonio ainda estudante. Tenho certeza de que ele sentiria muito orgulho de ver um dos tantos desejos realizados em tão pouco tempo. Foi como se o que eu tivesse dito apenas em pensamento – mas com tanta certeza – fosse um feitiço. Eu desejei e aconteceu.

Jornalistas e publicitários na Semana da Comunicação Colegas num papo com acadêmicos. Me viu ali?

O encontro

Quando cheguei ao auditório (o mesmo em que aconteceu aquele encontro quando era aluno do curso), tudo estava da mesma forma. Os bancos do público rodeavam os dos convidados. Olhei para os rostos dos estudantes e senti uma leve nostalgia. Gostaria, sim, de voltar ao passado e não ter tantas preocupações como eles. Tive a sensação de que eu poderia ter feito um pouco mais durante o curso. Mas o tempo apenas me levou para aquele local.

Descobri que meu sonho não era único. Outros colegas da minha geração, e que também foram convidados, tiveram o mesmo pensamento quando éramos todos mais novos.

Falar sobre a rotina de trabalho ao lado de gente que cresceu profissionalmente ao meu lado e diante de sonhadores é o máximo. É como se, mesmo com tão pouco tempo de carreira, nós olhássemos para trás e disséssemos: nós conseguimos chegar até aqui. Claro que ainda nos falta escalar essa longa montanha que, sabe-se lá como, chegaremos ao topo. Mas é incrível poder contribuir com aqueles que um dia também desejam estar onde estamos.

Talvez o mínimo, mesmo, que pudemos fazer neste encontro foi dividir nosso conhecimento e falar sobre a realidade de um setor que ainda merece atenção. É a minha missão, é a missão dos meus colegas e desta nova geração de jornalistas e publicitários fazer com que a comunicação e a imprensa do sul do estado sejam mais profissionais.

Se isso é um pouco utópico... pode até ser. Mas sonhar é o princípio para tornar real algo. Foi assim quando desejei estar naquele meio. É assim neste momento em que escrevo ao imaginar onde posso estar daqui cinco, dez anos.

domingo, 9 de outubro de 2011

Televisão no centro do conteúdo virtual

É só reparar nos assuntos mais comentados no Twitter. Tirando as tags intermináveis das fãs de Luan Santana e Justin Bieber, boa parte dos tópicos se refere a atrações de televisão que são transmitidas no momento. Seja uma reportagem bombástica, uma cena reveladora da novela, uma entrevista exclusiva, um jogo de futebol de grande torcida ou um filme com bastante apelo comercial.

Desde o princípio da evolução dos veículos de mídia sempre houve uma discussão sobre o que substituiria o que. Quando o rádio ganhou forças, diziam que o jornal acabaria. E quando a televisão se popularizou, era a vez do rádio dar adeus. Com o advento da internet, a telinha perderia espaço. Nada disso se concretizou. E o tempo apenas mostrou que um tem cumprido muito bem o seu papel de forma bastante diferente. Inclusive complementando o outro.

Uma pesquisa realizada pela Red Bee Media, empresa que monitora atividades relativas à TV em vários países, divulgou que 47% das pessoas escrevem no Twitter, no Facebook ou em qualquer outra rede social enquanto acompanham o programa preferido de televisão.

Internet e TV Público vê televisão ligado na internet. Ou ao contrário.

Ninguém mais quer assistir a uma atração sem companhia. E não basta ser a família ou os amigos que estão sentados ao lado. A companhia tem que ser o mundo. É como se todos quisessem receber a informação e compartilhá-la com o maior número possível de pessoas. Só ver não satisfaz. É necessário comentar, repercutir e saber se os outros pensam como você. Se for de forma irônica, melhor.

Foi assim quando rimos do inglês carregado de baianês de Cláudia Leite na apresentação do Miss Universo. Ou quando Jonatas Faro não convenceu na atuação durante o velório da mãe em Insensato Coração. E ainda mais durante a Copa do Mundo; brasileiros pediram para Galvão Bueno calar a boca.

A possibilidade de o público opinar sobre o que consome deu força àqueles que antes não tinham como se expressar. Consequentemente, tais comentários passaram a influenciar sobre o que é transmitido. O público que acessa a internet não vai deixar de estar ligado na televisão porque, além dela ser grande produtora de conteúdo, é aliada sobre quais assuntos cada um pretende dizer no momento em que está on line.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Fonte da juventude

Aí você entra no site da Univision, um dos principais veículos de comunicação para hispânicos nos Estados Unidos, e de cara lê uma manchete como esta: Casar-se com alguém mais novo rejuvenesce?

Duquesa

Olha, pode até ser que isso aconteça e sabe-se lá como. Mas no caso desta senhora, a Duquesa de Alba, da Espanha, acho meio complexo disso acontecer. Talvez impossível. Até porque o marido dela, 25 anos mais novo, não é lá tão novo assim.

E vamos combinar, ela deve ter feito tantas cirurgias plásticas que o rosto está até meio desfigurado, coitada. Nem que bebesse toda a água da fonte da juventude, resolveria. Ana Maria Braga que preste bem atenção nesta foto.

Cada vez que vejo alguém muito mais velho (e rico) se casando com alguém mais novo só consigo pensar em uma coisa. É a lei dos mais espertos prevalecendo, não adianta.

Cinco anos contando histórias

Na última sexta-feira (30/09), tive o prazer de estar nas celebrações de aniversário da Unisul TV. A grande comemoração, na verdade, foi mais durante a transmissão do nosso telejornal Câmera Aberta do que qualquer outro tipo de festa.

Durante quase dois meses produzimos reportagens com o objetivo de relembrar os principais fatos destacados na programação. A primeira emissora de televisão de canal aberto de Tubarão mudou alguns conceitos por aqui. E desta forma, ficou muito mais simples contar a história do lugar onde vivemos.

Mostramos problemas que foram solucionados, denunciamos o que estava errado, divulgamos iniciativas, demos espaço para a comunidade falar e mediamos discussões importantes.

Cada veículo de comunicação tem o seu papel e sua linha editorial a ser seguida. Tentamos fazer isto da melhor forma possível.

Se você quiser assistir a algumas reportagens, é só clicar no clicar nos links abaixo. Deixei apenas aqui no blog a que eu mais gostei. Foi um pequeno documentário sobre a rotina dos jornalistas na redação da emissora e fora também, claro.

Assistência social e ajuda comunitária

Desenvolvimento econômico e projeções da região

Fatos mais relevantes destes cinco anos

 

A rotina dos jornalistas na busca pela melhor informação.

domingo, 28 de agosto de 2011

Escrever certo está na moda

Meus professores de Língua Portuguesa, na época em que eu terminava o Ensino Fundamental, ficavam possessos com a ortografia utilizada na internet. Eles não entendiam como os jovens faziam questão de escrever errado na rede, além de ter a capacidade de criar abreviações incríveis para as palavras.

117148996 Era o início de uma comunicação revolucionária. Especialistas diziam que estava nascendo uma nova linguagem. As transformações tecnológicas trouxeram agilidade e rapidez nas ações do cotidiano de qualquer pessoa. E escrever conforme as regras gramaticais era perder tempo.

Mas como o bem sempre vence o mal, este período de adaptação à internet já acabou. A Web 2.0 faz com que o receptor de informação também seja um criador. E basicamente tudo passa pelo bom exemplo, ou seja, falar e escrever corretamente.

Lá no fim dos anos 90 e começo dos anos 2000, os programas de conversação instantâneos criaram um socioleto fofinho e miguxinho. A lei era simplificar o máximo possível a ortografia. Substituía-se s e c por x. O acento agudo era transformado em h. Palavras terminadas em e ou o logo finalizavam com i ou u. Ou seja, a fonética ganhava o espaço da ortografia.

Quem ainda escreve assim é condenado veemente. Ou não conseguiu acompanhar a evolução e ainda faz parte da geração passada (um especialista em cibercultura disse que gerações agora mudam a cada três anos). As redes sociais deram espaço para a tal liberdade de expressão, algo que antes era restrito a publicação de artigos em jornais; discussão em pequenos grupos ou manifestações pelas ruas. E para que sua opinião ganhe relevância, escrever certo é o princípio.

Dia desses um conhecido meu publicou uma frase com uma palavra errada por estas redes sociais. Foi o suficiente para que várias pessoas fizessem a correção. Hoje, todo mundo passou a ser monitorado pela internet não apenas por amigos, namorados e família, mas por empresas e parceiros profissionais. Se no vestibular é essencial ter uma boa redação, imagina no trabalho.

Escrever de acordo com as regras gramaticais é bonito, é elegante, dá status e sempre vai estar na moda. Nunca vai confundir o receptor da mensagem e continuará sendo a alegria dos professores de Língua Portuguesa.

sábado, 27 de agosto de 2011

Se eu fosse invisível

Mais um desses escândalos havia sido descoberto pela polícia e era necessária explicação dos responsáveis. Enquanto não chegava o meu momento de colocar o microfone na boca do delegado, toda a imprensa aguardava. De repente meus pensamentos me levaram para outro plano. A curiosidade em saber o que acontecia naquela sala fechada era tanta que minha cabeça começou a dar voltas.

Ah, como eu gostaria de ter o poder de ficar invisível por alguns momentos. Talvez este seja o lado mutante que todos teríamos vontade de possuir. Aí fiquei pensando no que faria se isso fosse real.

Entrar naquela sala em que estava a polícia e os envolvidos pelo escândalo para descobrir os segredos seria uma das possibilidades. E acho que este poder seria muito bem usado para ouvir conversar sigilosas. Não que eu seja metido ou fofoqueiro. É uma questão de sobrevivência social também. Afinal, saberia exatamente o que cada pessoa anda falando a respeito de mim, de você ou de algum amigo meu.

97543684 Ficaria invisível e descobria o mundo

Talvez eu pudesse investir no lado sobrenatural da coisa também. Sempre morri de medo de filmes de suspense. Mas outra coisa é você ser o causador dos sustos dos outros. Imagino até as pessoas com quem aprontaria. Trocar os objetos de lugar; abrir as janelas de repente; dar um tapa na bunda. Claro que seria melhor se tivesse aquela trilha sonora horrorosa para incrementar.

Faria o que não é permitido. Entraria nos shows sem passar pela catraca; ficaria a noite dentro de um supermercado para comer guloseimas que não podemos comprar porque são caras demais; ouviria em primeira mão o novo álbum da minha cantora preferia antes que vazasse para a internet; passaria no xerox para bisbilhotar o conteúdo da prova.

E os furos jornalísticos? Entraria nas salas secretas de Brasília e descobria as fraudes; ouviria as conversas em que a propina rola solta e saberia quem mente e quem diz a verdade por lá (algo que quase não acontece!).

Ah se eu fosse invisível... e quando eu chegava mais fundo na minha criatividade, o delegado chamou para a entrevista.