03 Março 2010

Quando o caos chegar aqui

Eu me lembro das aulas de Geografia. Minhas professoras diziam que o Brasil estava livre das catástrofes causadas por fenômenos naturais. Eu ficava impressionado com os documentários sobre vulcões, terremotos e furacões. Sentia alívio e sorte por viver em um lugar abençoado, tranquilo e seguro.

Ao acompanhar todas as desgraças que vêm acontecendo no mundo, apenas nestes últimos meses, nós percebemos que realmente temos sorte. As placas tectônicas se mexem e apenas algumas regiões sentem um pouquinho algum tremor estranho. Aqui em casa, de vez em quando, eu sinto a terra tremer, mas só quando passa um caminhão muito pesado pela estrada! Alerta de tsunami? Que nada! Apenas evitamos ir a praia em dias que o mar está de ressaca.

TerremotoTerremoto no Chile abala o mundo. Brasil também tem problemas naturais

Apesar de não sabermos o que estas tragédias poderiam provocar, nós temos, sim, os nossos problemas e são gravíssimos. Enquanto nos preocupamos em como vamos fazer para ajudar Haiti e Chile, muitas áreas continuam a aguardar soluções para evitar o impacto que as chuvas de verão causam nas grandes cidades. Este ano os ciclones não passaram por aqui como em temporadas passadas, mas certamente ainda vamos ver casas destruídas e pessoas desabrigadas. E quantas famílias continuarão vivendo em condições subumanas por causa do processo de desertificação?

Claro que a nossa defesa civil trabalha para melhorar os trabalhos referentes às questões de alarme e ajudar na prevenção. Mas isto em apenas alguns lugares. São mínimas as cidades que possuem organizada uma Comissão Municipal de Defesa Civil (Comdec). Se existem, pouco se faz. O orçamento disponibilizado para este setor é insuficiente para garantir estudos e viabilizar projetos para melhorar a estrutura de determinados locais.

Todos sabemos que é sempre mais fácil prevenir a remediar. E quando uma catástrofe chega, geralmente vem sem avisar.

“We are the World” em dois idiomas

Provavelmente você já deve ter ouvido a nova versão e assistido ao clipe de We are the World. A música foi regravada para ajudar a vítimas da catástrofe que atingiu o Haiti há alguns meses. Os maiores nomes, na atualidade, da música anglosaxônica participaram do projeto.

Somo el Mundo 01 Mas agora, a música ganhou alma em outro idioma: o espanhol. A versão foi lançada neste dia primeiro de março, no El Show de Cristina, principal programa voltado ao público hispânico dos Estados Unidos. A produção de Somos el Mundo ficou a cargo do renomado Emílio Estefan, já a versão ao idioma esteve na responsabilidade da esposa, Glória Estefan.

No entanto, as coisas parecem ter mudado um pouco. Além do Haiti, Chile, que sofreu um terremoto no último fim de semana, também deve receber a ajuda através desta música. A ajuda pode ser feita pelo site www.somoselmundo.org.

Participam de Somos el Mundo os grandes cantores da música hispânica. Desde os conhecidos regionalmente, como os tops. Juanes e Ricky Martin abrem o vídeo. Shakira e Thalía também dão suas contribuições, assim como Luís Fonsi, Daddy Yankee, Taboo (The Black Eyed Peas) e mais um montão de gente interessante. Vale a pena assistir ao clipe. Ficou muito bom.

Agora, por que não é produzida uma versão em português, ein!?

Versão em espanhol de We are the World

28 Fevereiro 2010

Menos fixo e mais celular

Faz tempinho que o telefone daqui de casa não toca, viu!? E não é porque ninguém liga pra cá. O fato é que cada membro da família tem seu aparelho celular e, ultimamente, anda muito mais em conta ligar desta forma a usar o fixo.

Há mais de um ano nós bloqueamos ligações do fixo para celulares. O valor da fatura despencou. E como ninguém fica mais conversando por horas pelo telefone – por causa do advento da internet – então as linhas de cada um são apenas para o essencial.

Segundo o jornal Diário Catarinense deste domingo, isto é a tendência. Os fixos tiveram uma queda de 8%. E não poderia ser diferente, não é? A assinatura básica é um roubo. Aí você junta a taxa mínima, com as ligações e a assinatura da internet. A nota não vem menor do que cem reais por mês e não adianta. Telefone virou coisa de gente rica.

BB0    ml.tif- Aaaai, que caro!

Só acho que o valor das tarifas dos planos de celular ainda é muito alto. Você tem que improvisar se quiser economizar. Tem gente que é cliente de mais de uma operadora. Tudo para pegar uma boa promoção. Porque pagar menos só entre números da mesma empresa. Isto não é certo.

A comunicação, de forma geral, deveria ser incentivada no país. Só que para isto os impostos teriam que ser diminuídos, já que o Brasil possui uma das cargas tributárias mais altas do mundo neste setor.

Para quem usa pré-pago e liga para alguém que usa outra operadora, dar um “alô” custa todo o cartão dos créditos.

Mudança que deu certo

Ainda bem que a proibição de fumar em locais fechados pegou. Há algum tempo, quando chegávamos a casa, após uma balada, era essencial colocar a roupa para lavar imediatamente e, logo em seguida, ir para o chuveiro. Hoje, a situação é diferente. A lei, que começou em São Paulo, se espalhou a outros cantos. Dificilmente as boates e clubes permitem que se fume dentro do ambiente.

Às vezes é preciso proibir, criar leis e reprimir para que haja mudança de comportamento. Infelizmente muitas coisas acontecem apenas desta forma. E respeitar os não-fumantes é um avanço da nossa sociedade. Eu não sou obrigado a respirar aquela fumaça, a sentir o cheiro do cigarro. Não quero ter, também, aquele perfume adocicado impregnado em minha roupa.

As mudanças são gradativas, é preciso paciência para perceber os resultados. Sempre vai haver discórdia, mas se as atitudes são para o bem comum, então que sejam respeitadas e cobradas.

Cigarro Em muitos locais, fumar apenas na rua

23 Fevereiro 2010

De volta à escola

Semana passada os estudantes da rede estadual de ensino de Santa Catarina voltaram às aulas, após o descanso das férias. E lá foi a equipe da Unisul TV acompanhar o retorno. Eu fui escalado para fazer a reportagem na Escola Jovem, coincidentemente, o colégio que eu havia estudado durante o ensino médio.

93526422 A primeira coisa que eu falei, assim que cheguei ao local, para o cinegrafista Josué Souza foi: “uma pena este lugar não ter recebido manutenção”. A Escola Jovem foi inaugurada em 2004, após ter se desmembrado de outra instituição de ensino. Quando estudei lá tudo era novinho em folha. A estrutura, as carteiras, os móveis, a pintura e nem cortinas as salas ainda tinham. A situação, hoje, não é caótica, mas poderia ser mais bem cuidada.

Voltar à escola em que estudei me remeteu a milhões de recordações. As lembranças apareceram em flashes. De repente eu ouvia vozes. Parecia meus colegas e eu em horário de troca de professor, quando íamos esperá-lo no corredor. O lugar onde eu sentava e estudava ainda estava ali, hoje ocupado por outro garoto, meio magrelinho e com cara de bagunceiro. Será que daqui alguns anos ele também voltará e pensará o mesmo que eu?

Aí o sinal para o recreio bateu. As salas foram trancadas pelos professores. Exatamente como naquele tempo. Medida de segurança. Parte dos alunos foi para a cantina, outros ficavam sentados na escada e outros ainda iam para a rua. Gargalhadas, olhares, turminhas, novidades e conversas. O tempo passa, mas muita coisa não muda.

Em seguida encontro uma ex-professora de Língua Portuguesa. Roseli sempre dizia: “nós somos do tamanho de nossos sonhos”. Sempre sonhei com a profissão que tenho. Talvez um pouco mais. Quem sabe um dia eu chegue lá. “Acompanho suas reportagens sempre. Você está melhorando a cada dia, continue assim”, elogiou a professora para mim.

Depois fui a outra turma e o professor Santos revelou minha identidade nada secreta aos seus estudantes: “Quando ele era meu aluno, percebia que gostava de comunicação. Falava muito”. Não sei se com isto ele quis dizer que eu sabia me expressar bem ou se eu atrapalhava suas aulas com as conversas paralelas com meus colegas. Preferi entender como outro elogio.

É estranho, mas quando vivemos determinados momentos, eles parecem ser apenas parte da nossa rotina. É sempre depois que percebemos a importância daquilo pra gente. Seja em nossa formação, seja em nossa vida. Dá vontade de voltar e fazer tudo de novo...

 

Reportagem produzida por mim na volta às aulas
 

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